Gruit e Lúpulo: uma história cervejeira super legal!

Gruit? O que é isto?

Gruit faz parte da história da cerveja e reinava antes do lúpulo vencer a treta por vários motivos (econômicos, sociais e políticos).

Embora tenha alguns séculos, esta história tem alguns paralelos com a cena cervejeira atual, tais como:

  • como as técnicas e tecnologias que mudam o consumo
  • a importância da cerveja na sociedade
  • como os governos tiram proveito da popularidade da cerveja
  • como monopólios precisam ser combatidos.

Dizem que temos que conhecer o passado para mudar o futuro… então vamos lá!

UMA BREVE INTRODUÇÃO 

Que a cerveja é produzida há milênios pelo homem, todo mundo sabe. A partir do momento que o homem deixou de ser nômade para cultivar grãos e, posteriormente, desenvolveu técnicas para preservar suas colheitas, o pão e a cerveja “acompanham” a nossa evolução.

Tanto que a cerveja foi considera como alimento e sem restrição de horários ou de idade para o consumo durante séculos e séculos! Então imagine a cena: no café da manhã de alguns séculos atrás não teria Toddynho para as crianças, mas sim uma caneca (ou algo parecido) de cerveja.

Mas a cervejinha nossa de cada dia é totalmente diferente das cervejas produzidas inicialmente. Se considerarmos as bebidas fermentas de cereais, ou seja, um conceito básico para cerveja, temos vários exemplos de bebidas primitivas que surgiram em várias partes do mundo (Bouza, no Egito; Kafir, na África, Lao Li, na China; Chicha, feita de milho andinos). Logicamente, cada bebida fermentada de cereais tem uma receita e uma composição, mas são todas “cervejas”.

EXPERIMENTAÇÃO FAZIA PARTE DO UNIVERSO CERVEJEIRO

E desde estes tempos remotos, são usado aditivos à composição da cerveja para criar novos sabores, aromas e, por que não, efeitos à bebida. Cascas, raízes, frutas… tudo que estivesse ao alcance e que fosse interessante deve ter sido testado. Alguns ingredientes tiveram muito sucesso durante muito tempo: mel, canela, açúcar mascavo, anis, rúcula, alecrim, cravo, gengibre para citar algumas.

Dá para imaginar que a mestre cervejeira (é amigo, elas dominavam a produção amplamente e são as responsáveis pelo que chamamos de cerveja, portanto, respeite as mina!) ia tentando fazer uma receita nova de acordo com o que tinha à sua disposição. Umas deviam davam certo, outras nem tanto e assim a coisa toda evoluía.

Mulheres fazendo cerveja com gruit

Mulheres fazendo cerveja medieval com Gruit

Ao longo dos séculos, tornou-se mais comum usar um mistura de ervas chamada Gruit. “Dependendo da região e da disponibilidade, o Gruit poderia conter alecrim, absinto, artemísia, milefólio, zimbro, murta-do-brejo, urze e gengibre”, como ensina a Larousse da Cerveja.

E sabe quais os efeitos que o Gruit poderia causar, dependendo da receita? Ele poderia ser AFRODISÍACO, NARCÓTICO E ALUCINÓGENO!

Gruit

Gruit: uma mistura de muitas ervas

Só que a popularização do uso do Gruit na bebida/alimento mais popular atraiu os olhares de um monarca… E tudo ganhou outros contornos!

O QUE É IMPORTANTE VIRA CONTROLE ESTATAL. E CONTROLE ESTATAL VIRA CONTROLE POLÍTICO…

Para entender a importância do gruit e sua queda para o lúpudo, temos que considerar uma figura mega importante para a história ocidental: REI CARLOS MAGNO.  O Rei dos Francos, dos Lombardos e Imperador Romano até o início do século IX viu na cerveja um elemento importante para a sociedade e, portanto, para o seu império.

Carlos Magno

Carlos Magno sacou a importância da cerveja na sociedade

Ele criou um conjunto de regras para a organização de seu império (CAPITULARE DE VILLIS), versando sobre a administração das terras, dos animais, sobre a justiça e sobre a infra estrutura básica para uma vila.

E é aí que ele ajudou demais a atividade cervejeira (ou pegou uma carona na popularidade da bebida) ao estipular que toda vila deveria ter CERVEJARIAS! Isto deu uma grande importância à bebida colocando-a em destaque na estrutura social e econômica das vilas.

Que legal, não? Era tudo que nós, hoje, em pleno Século XXI, queríamos, não acha? Apoio para a produção local de cervejas, dando à cerveja importância também social.

Mas calma lá… pois quando o estado coloca sua mão no mercado, não faz de graça. E como sempre fez e continua fazendo, tirou proveito ao máximo da produção de cerveja.

E sabe onde estava a pegadinha? NO FORNECIMENTO DO GRUIT!

Genial, veja: primeiro reconhece e estimula a importância da cerveja e depois MONOPOLIZA o fornecimento do Gruit. E quem era o responsável pela produção de Gruit? Bispos que detinham o GRUITRECHT, o direito de produzir Gruit.

capitulare villis

Nas letras miúdas: Gruit bom é Gruit dos Bispos!

Logo, o Estado criou uma importante fonte de renda para a igreja e assim teve ainda mais apoio político. O MONOPÓLIO da produção de GRUIT era da igreja. Preços, quantidade, qualidade, oportunidade para fornecimento ficaram nas mãos de “um” só.

Mas a treta toda não acabou (lógico, pois hoje usamos Lúpudo e não Gruit!)…

SURGE O LÚPULO COMO INOVAÇÃO

Lúpudo

Abra teu olho, Gruit…

Na verdade, já era usado desde o século IX, ou seja, quando o Gruit atraiu a atenção do REI CARLOS MAGNO,  o lúpulo já era usado, mas não era popular.

No entanto foi uma monja alemã (olha elas aí de novo, mano!) que fez o primeiro registro científico do lúpulo. O Livro Physica, de 1150 cita o lúpulo como ótimo conversante e relaxante. Em 2012, Hildegarda de Bingen foi santificada. Amém!

Aos poucos o monopólio do Gruit passou a incomodar justamente ao… Estado! Quem havia criado o monopólio, estava descontente com ele e começou a criar leis para proibir o uso de Gruit.

Em 1268, o rei Luis IX da França determinou que a cerveja deveria ser feita apenas de lúpulo e malte. Em 1447, em Munique, foi determinado que a cerveja teria apenas água, lúpulo e cevada. Em 1487, os cervejeiros tiveram que jurar publicamente que iriam obedecer esta lei, que bizarro! E em 1516, a lei com nome mais esquisito da história foi promulgada (Lei da Pureza ou Reinheitsgebot). Mas isto é outra história.

Aos poucos, seja por necessidade de inovação ou por por causa das leis, o uso do lúpulo foi sendo aprimorado passou a ser amplamente usado na Alemanha (seria influência da obra da Santa Hidegarda de Binden? As mina comanda!) e nos Países Baixos por ajudar na conservação, apesar do amargor. Seu uso foi uma baita inovação para o consumo da cerveja.

Estas cervejas com lúpulo eram chamadas de “bier” e encontraram muita resistência na Inglaterra até o século seguinte. Nesta guerra entre as “bier” alemãs e as “ale” inglesas, a Inglaterra se rendeu à Alemanha.

Alguns vantagens do Lúpulo sobre o Gruit:

  • Preço do lúpudo: era mais barato que o Gruit
  • Acesso: não era monopolizado ou controlado pelo estado. Em alguns casos, era incentivado ou obrigatório!
  • Conservação: permitia a conservação da bebida durante os meses quentes
  • Efeitos: o Gruit poderia causar muitos efeitos afrodisíacos, narcóticos e alucinógenos. O Lúpulo causa relaxamento. OK, pode não ser uma vantagem mas na época a galera achou que sim…

Consequências da adoção do Lúpulo:

  • Queda no preço da cerveja: insumos mais baratos tornaram a bebida mais barata.
  • Aumento do mercado consumidor: como consequência do tempo maior de conversação e queda dos preços
  • Criação e/ou ampliação de mercados: a atividade cervejeira que era caseira ou pouco organizada teve como se consolidar e de se industrializar
  • A mulher perde espaço na produção: quando a atividade era caseira, as mulheres tinham grande importância. Com a industrialização, este posto passa a ser preenchido pelo homem…

Portanto o Lúpulo estava ganhando espaço na produção da cerveja por ser uma inovação capaz de transformar a industria e por causa do malefícios do monopólio do Gruit.

Mas as bier não contavam com a ajuda da Reforma Protestante… aí foi correr para o abraço! A partida estava ganha!

REFORMA PROTESTANTE ABALOU O MONOPÓLIO DA GRUIT

Se a Lei da Pureza é de 1516, em 1517 acontece o início a Reforma Protestante, justamente na Alemanha. Não é coincidência: tanto a lei como a reforma tem como origem um descontentamento com a Igreja Católica e sua influência até no desenvolvimento econômico. É bom lembrar que a Lei da Pureza tem também uma outra motivação: conter a inflação no preço do trigo.

Curiosidade: a esposa de Martinho Lutero, Catarina de Bora, era uma cervejeira famosa!

“Minha cara para o monopólio do Gruit”, Martinho Lutero

Ao questionar duramente a mercantilização da fé, Martinho Lutero acabou atingindo o monopólio da Igreja Católica sobre o Gruit.

Soma-se a isto a cultura alemã de uso do Lúpulo que já tinha se fortalecido e aos efeitos afrodisíacos, narcóticos e alucinógenos do Gruit, criticados e proibidos pela Reforma Protestante. O Gruit estava com os dias contados.

Bom, o resumo é o seguinte: a Reforma Protestante foi um tiro de misericórdia na produção do Gruit.

CERVEJAS COM GRUIT NÃO MORRERAM

Uma cerveja afrodisíaca, narcótica e alucinógena não merece o esquecimento, meu povo! E hoje algumas marcas lançaram cervejas com gruit.

Afrodisíaca? Narcótica? Alucinógena? Ou Nutella?

Se ainda causam os mesmos afeitos, terei que provar…

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